Meu nome é Carlos, tenho 54 anos e sou professor universitário. Durante muito tempo, me acostumei a ser desejado, a chamar atenção, mas a idade, silenciosa e implacável, tratou de mudar isso. Entre fios de cabelo que se foram e uma barriga que chegou sem pedir licença, vi também o olhar das mulheres mudar. Em casa, meu casamento com Odete sempre fugiu do convencional: mais cumplicidade do que paixão, mais acordo do que promessa. Nunca fomos o grande amor um do outro, e talvez tenha sido justamente isso que nos manteve juntos por tanto tempo.
Vivíamos cercados por amigos, casais que, à primeira vista, pareciam apenas parte da rotina confortável que construímos. Mas por trás das risadas, dos encontros e dos olhares aparentemente inocentes, algo começou a se transformar. Desejos antigos reapareceram, limites foram testados e, quando percebi, estávamos todos envolvidos em um jogo perigoso de atração, ciúmes e escolhas irreversíveis.
O que parecia simples, quase banal, acabou desencadeando uma sequência de acontecimentos que mudaria tudo. E se você quer entender como um grupo de amigos chegou tão longe, precisa voltar comigo ao início. Porque nada disso aconteceu por acaso.